No âmbito académico em Portugal, especialmente em teses de doutoramento, projetos de mestrado ou relatórios de estágio, o estado da arte é uma parte essencial do trabalho científico. Trata-se de uma revisão crítica que te permite compreender os estudos mais relevantes já realizados sobre o tema que estás a investigar.
Esta secção é obrigatória em muitos cursos universitários, uma vez que serve de base para justificar a originalidade e necessidade da tua proposta de investigação.
✅ O que é o estado da arte?
O estado da arte é uma revisão estruturada, analítica e atualizada da produção científica existente sobre um determinado assunto. A sua função é apresentar o que já foi estudado, quais as abordagens existentes, quais as lacunas detetadas e o que ainda está por explorar.
É diferente de um simples levantamento bibliográfico, porque exige crítica, comparação e síntese, e não apenas a listagem de autores.

📌 Características de um bom estado da arte
Um estado da arte rigoroso distingue-se pelas seguintes características:
- Atualidade: trabalha com referências publicadas, preferencialmente, nos últimos 5 a 8 anos.
- Objetividade: utiliza critérios claros na seleção das fontes.
- Organização lógica: agrupa os conteúdos por temáticas, cronologia ou abordagens.
- Carácter crítico: aponta os pontos fortes e fracos dos estudos existentes.
- Conexão com o problema de investigação: mostra como cada fonte se relaciona com a tua linha de pesquisa.
📘 Diferença entre estado da arte e enquadramento teórico
Embora estejam relacionados, o estado da arte e o enquadramento teórico não são sinónimos. Eis a diferença:
| Critério | Estado da Arte | Enquadramento Teórico |
|---|---|---|
| Foco | Investigações recentes e dados empíricos | Conceitos, teorias e modelos explicativos |
| Objetivo | Mapear o conhecimento existente sobre o tema | Fundamentar teoricamente a tua análise |
| Temporalidade | Estudos atuais (últimos anos) | Teorias clássicas e consolidadas |
| Tipo de fontes | Artigos, relatórios, dissertações, papers | Livros, teses, autores de referência |
🧭 Como fazer um estado da arte: etapas práticas
1. Delimita o tema e os critérios de busca
Antes de começares, define bem o tema e a problemática. Por exemplo:
Tema: Inclusão de estudantes com dislexia no ensino superior em Portugal.
Depois, decide:
- o intervalo de tempo das publicações;
- os idiomas aceites;
- os tipos de fontes (académicas, institucionais, etc.).
2. Escolhe bases de dados adequadas
Evita fontes não académicas ou sem revisão científica. Privilegia:
- Repositórios portugueses: RCAAP, repositórios das universidades (Coimbra, Minho, Aveiro, Porto…).
- Biblioteca do Conhecimento Online (b-on): acesso a milhares de artigos científicos para estudantes portugueses.
- Google Scholar: com uso de filtros por data e idioma.
- Plataformas internacionais: Scopus, ScienceDirect, Springer, ERIC.
3. Analisa e sintetiza as fontes
Após selecionares as leituras mais relevantes:
- Resume o objetivo de cada trabalho;
- Identifica a metodologia usada;
- Destaca as conclusões e limitações;
- Organiza as fontes por temas, autores ou linhas teóricas.
O objetivo não é repetir tudo o que os autores dizem, mas sintetizar e refletir sobre os contributos para a tua investigação.
4. Integra os dados com espírito crítico
O passo seguinte é discutir os dados:
- Quais as abordagens mais frequentes?
- Que autores são referência?
- Existem controvérsias ou consensos?
- O que ainda está por explorar?
Esta análise mostra ao orientador (ou júri) que dominas o campo e sabes posicionar o teu projeto dentro do que já existe.
5. Revisa, atualiza e referencia corretamente
Um estado da arte desatualizado perde valor científico. Revê periodicamente os conteúdos e atualiza com novos estudos se necessário.
Quanto à citação, segue o estilo exigido pelo teu curso (APA, IEEE, ABNT, etc.) e usa ferramentas como:
- Zotero ou Mendeley para organizar referências;
- Notion ou Obsidian para mapas de ideias e conexões;
- ChatPDF ou Scholarcy para análise automática de artigos.
🧪 Exemplo resumido: Estado da arte em literacia digital no ensino superior português
Vários estudos recentes destacam o desafio da literacia digital em estudantes universitários portugueses, especialmente após a pandemia. Segundo Martins et al. (2021), apesar do aumento do uso de tecnologias, persistem dificuldades no uso crítico e ético da informação digital.
Ribeiro (2022), ao analisar três instituições públicas portuguesas, identificou uma correlação entre literacia digital e desempenho académico. Já o estudo de Costa e Silva (2023) propõe uma metodologia ativa baseada em gamificação para colmatar lacunas de competências digitais em alunos do 1.º ciclo.
A revisão revela que, apesar da evolução tecnológica, há uma lacuna significativa entre o acesso e o uso eficaz, o que reforça a pertinência do projeto proposto nesta dissertação.
✨ Dicas finais para escrever um estado da arte com qualidade
- Não copies resumos. Reescreve com as tuas palavras.
- Usa conectores lógicos entre ideias: “por outro lado”, “além disso”, “em contraste…”
- Evita citações longas: prioriza a síntese e a análise.
- Equilibra autores nacionais e internacionais.
- Liga cada referência ao objetivo do teu trabalho.
❓ Perguntas frequentes
Quantas referências devo incluir?
Entre 10 a 20 fontes de qualidade é um número equilibrado para projetos de mestrado. Para doutoramentos, pode ultrapassar as 30.
Posso usar artigos em inglês?
Sim, é altamente recomendável. Muitos dos estudos mais recentes estão publicados em inglês.
É obrigatório ter estado da arte em todos os trabalhos?
Depende da instituição. Em muitas faculdades portuguesas, é um requisito comum, mas o orientador pode sugerir outras estruturas.
O estado da arte pode ser incluído no enquadramento teórico?
Sim, em alguns cursos ele aparece como uma subsecção dentro do enquadramento teórico.
Como evitar plágio ao fazer o estado da arte?
Para além de fazer citações corretamente, deves parafrasear e escrever com o teu estilo. Usa ferramentas antiplágio como Turnitin ou Plag.pt, se possível.
Se estiveres a desenvolver o teu projeto académico e precisares de apoio para pesquisar, estruturar ou escrever o estado da arte, o nosso gabinete de apoio académico está disponível para ajudar com soluções personalizadas para estudantes portugueses.


